sexta-feira, dezembro 10, 2004

Meu irmão

Crianças crescem e é tão estranho que eu virei adulta assim, de repente. Meu irmão confia em mim, e isso foi a coisa mais fofa que aconteceu nos últimos tempos. É estranho ficar velha. É estranho pensar "daqui a quatro ou cinco anos" e isso ser pouco tempo. E é estranho porque faz tão pouco tempo que isso era muito tempo. Quando você tem 14, caraca, 5 anos é metade da sua vida! Quando você tem 14 você pensa que daqui a 5 anos você vai ser adulto.

Meu primo tinha 12 anos e eu ainda não consigo deixar de pensar nele com essa idade. Ele tem mais de 20 e eu ainda me espanto com isso. A Clara, caramba. Outro dia na rua, eu ando olhando pro chão e vem uma mulher na minha direção. Eu desvio, ela desvia e continua vindo pra cima de mim. Eu penso "Essa mulher vai me atropelar!" Quando olho, a mulher era a Clara, que deveria ter 11 anos mas tem 17. Faz 18 em janeiro.

O Vicente tem pêlos nas pernas. Que o Victor era grande eu já sabia, ele sempre foi. Mas ontem ele tinha um esboço de bigode e isso foi estranho. Virou adolescente. Porque o Vicente tem (quase) a mesma idade mas ainda é criança. Meu irmão não é criança, ele me disse ontem.

Será que eles percebem que cresceram? Não. Eu não percebi. De repente eu era adulta. E nem sei se isso ´ mesmo triste. Não. Ser adolescente é muito chato. É muito bom, não me entendam mal. Mas é muito chato. Tudo é grande demais quando você é adolescente. Um ano, dois, três. Tudo é muito tempo. Será que um garoto de 14 anos sabe que daqui a pouco ele tem 18 e está na faculdade? Que daqui a pouco ele namora, ele casa, ele sai de casa, ele mora junto ele tem sua vida?

Será? Será que é isso mesmo? Ou será que eu já esqueci como é?

sábado, outubro 23, 2004

O rio

Lá longe tem um rio
calmo de água rasa.
Aqui perto tem um rio
que corre na minha casa.

No rio tem os peixes
e conchas e tudo o mais.
No rio eu molho os pés
e com ele corro pro mar.

Quando estou de saco cheio
e tudo é chato demais
eu ponho o rio no bolso
e vou com ele viajar.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Eu sei que essa frase não é nada original, esse pensamento não é. Mas a realidade não parece por vezes fina demais? Não, não fina. Fina tem muitos significados, fine, thin. Frágil seria melhor. Como. Parece tão fácil de atravessar, a realidade quero dizer, que às vezes eu tenho medo de fazê-lo sem querer. Tenho medo de já ter feito e ter caído do outro lado. Será que eu estou do outro lado?

sexta-feira, outubro 15, 2004

I could be dreaming

Faz tempo que não escrevo aqui, o que não é exatamente o motivo que me levou a escrever agora. Tem uma música me martelando a cabeça e um sei-lá-o-que me sufocando o peito. Porque eu sempre achei - como boa analisanda - que minha vida é só minha e que portanto as coisas que eu faço, eu faço pra mim. Eu acho isso, isso é verdade; então porque essas coisas não me fazem feliz?

Eu gosto de matemática (não gosto?) e eu sei que falta pouco (não é?). Um último esforço e chegamos lá. Por que de novo essa montanha e eu no meio da escalada, com medo de cair, cansada demais pra continuar subindo, sabendo que não posso passar muito tempo nesse nicho mínimo onde estou agora. Ou pra cima ou pra baixo. Decida-se. E logo. Decida-se ou decidem por você.

O futuro é longe demais e o passado parece sempre mais fácil do que foi. A caminhada adiante é sempre a mais difícil que você já viu. Então o vestibular não é uma coisa assustadora?

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* Se o presente não existe é o futuro próximo onde vivemos.

* Se você é livre, então o que é que te prende?

* Se você é seu, quem manda em você?

* Se fossemos todos felizes, seríamos todo felizes?

segunda-feira, agosto 30, 2004

Correr em vez de caminhar

Hoje me pus a pensar. Faz tempo que não pensava. Pensar em mim, quero dizer. Em como eu funciono. Tenho pensado em tese, em matemática e só. Mas hoje me peguei pensando. Poderia dizer que o pensamento veio do nada e isso seria uma mentira branca. O pensamento veio do nada, não importa. O fato - e isso eu sei faz tempo - é que eu escolho correr. Estou sempre com pressa e nem sei bem por quê. Se eu tenho um caminho a percorrer e eu sei e sei que devo chegar ao final algum dia, eu penso 'Por que não chegar lá mais rápido?', e então eu corro. Eu corro pra atravessar a rua, adoro fazer isso. Aquelas ruas grandes, eu gosto de correr. Eu presto mais atenção no final que no caminho. Isso é um modo de viver, tão válido quanto o oposto, mas vez ou outra me pego pensando por que motivo eu sou assim. Daí penso se poderia ser diferente e - sempre - acabo chagando à conclusão de que não, uma vez que fosse diferente não seria eu. Claro, ainda seria eu, seria outra eu que seria eu. Mas não seria essa eu que de fato sou eu. Esse texto tá ficando grande e acaba que não disse o que tinha pensado. Sempre é mais fácil pensar que escrever, eu sempre entendo o que eu quero dizer. Vai é ficar assim mesmo e quem sabe um outro dia eu consigo de fato me explicar e dizer o que eu quero.

quarta-feira, agosto 11, 2004

Doente

Eu não sei porque eu vivo doente. Eu vivo doente. Não é porque me alimento mal, eu sei que não é. Eu acho que vou ser daquelas pessoas que quando morre sempre alguém diz: "Tadinha, até que durou. Tinha a saúde tão fragilzinha, vivia resfriada." O engraçado é que não tenho doenças graves mas sempre estou gripada. Ou me sentindo fraca. Hoje estou no segundo. Me sinto tão frágil quanto uma mariposa.

sexta-feira, julho 23, 2004

Porque os fantasmas

Uma quinta-feira e essa música. Uma quinta-feira, uma sexta-feira e um fantasma. Um pensamento fantasma a martelar a cabeça. Fantasma que vem de longe. Fantasma que está longe. Longe demais pro meu gosto.

 
Not much a friday night, pinball
Glorious sight walked out of the past and into the bar
I used to think about you all the time
I would think about you all the time
Now it just feels weird, cause there you are

The damage is done

I feel like a kid again
My eyes are glued to the floor
I hope i mumbled goodbye as you walked out the door

(Damage - Yo la tengo)

terça-feira, julho 20, 2004

Sim, me rendi ao Orkut

Só ainda não sei o que fazer com ele. Ô trocinho inútil...
Entrei em umas comunidades, só comunidades de coisas que eu gosto de discutir. Matemática, Grothendieck, Borges. Nem do Gaiman entrei ainda. Ainda não me entendi com esse treco e tô sentindo que daqui a pouco abandono o barco.

quinta-feira, julho 15, 2004

Errata

Complicação de amigdalite não é meningite, é febre reumática.
Agora digam: "Ah bom! Bem que eu achei estranho..."

quarta-feira, julho 14, 2004

Amigdalite: eu tive

Nunca tinha tido antes, então quando começou achei que era gripe. Achei até bom gripe sem catarro. Catarro é um saco. Mas amigdalite é uma merda. E merda é pior que saco. Pus. Pus é pior que catarro. Pus nas duas amigdalas. E minha mãe dizendo "complicação de amigdalite é meningite!". Agora estou melhor, mas foram uns 4 dias quase sem comer. De sábado a terça. Hoje comi bastante. Arrozinho com feijão, alfacinha, farofinha e hamburguinho com batatinha. E mate, que estou atrás de mate desde a semana passada. Mate de copinho, industrializado. Mate leão. Sempre que eu tomo mate leão de copinho industrializado eu vejo a foto do bicho e sempre que eu vejo a foto do bicho que lembro do Zico. Não o Zico galinho de Quintino. O Zico gato que meu irmão teve que morreu com 15 anos há um tempo atrás. Irmão da Xuxa gata que eu tive que morreu com 18 anos final do ano passado. Mesma ninhada. Xuxa nunca teve amigdalite, nem Zico. Meu irmão teve várias, pobrezinho. Dizem que eu sempre estou doente e dizem a verdade, mas também é verdade que sé fico doente de doença besta. Sempre gripe, quase sempre. Mas amigdalite... de onde eu peguei isso?

terça-feira, julho 06, 2004

A palo seco

Se você vier me perguntar por onde andei
no tempo em que você sonhava,
de olhos abertos, lhe direi:
- Amigo, eu me desesperava.
Sei que, assim falando, pensas
que esse desespero é moda em 73.
Mas ando mesmo descontente.
Desesperadamente eu grito em português:

- Tenho vinte e cinco anos de sonho,
de sangue e de América do Sul.
Por força deste destino,
um tango argentino
me vai bem melhor que um blues.
Sei que, assim falando, pensas
que esse desespero é moda em 73.
E eu quero é que este canto torto,
feito faca, corte a carne de vocês.

(Belchior)


(Na minha cabeça há alguns dias, na versão Los Hermanos.)

Verdade

O Heitor anda pela cozinha pensando em sonhos. Eu fico na cama e pensava em verdade. Pensava em questões inúteis, como sempre. Pensava no quanto eu minto pra mim e será que sou só eu? Ou será que - como me disseram uma vez - eu percebo minhas mentiras enquanto a maioria nem pensa no assunto? Pensava na minha antiga obsessão com a verdade, em não mentir pros outros. Acho que quando você mente e quer parar de mentir, você deve começar por algum lugar. Você deve começar por onde é mais fácil. Você deve começar pelos outros.

Eu pensava no que eu quero. Em por que eu quero as coisas que quero. Não, não em por que eu quero. Em se sou realmente eu que quero, se não é uma invenção, se eu não quero porque meus amigos querem, porque é legal, mais fácil, pra evitar pensar demais, porque pensar cansa e por vezes dói. Por mais de uma vez me achei em uma bifucação do caminho onde eu poderia inventar uma paixão ou seguir com o que seria verdade. Com o que eu chamo de verdade porque foi por onde eu segui. Se tivesse ido pelo outro caminho, não seria também verdade?

Se eu acho que tudo é escolha. E eu disse tudo, vida, morte, roupa, gosto, sexo, amigos, amor, carreira, tesão, tudo. Se eu acho que tudo é escolha então qual a diferença entre escolher e escolher que outros escolham por você? Algum é mais humano, mais verdadeiro, mais real? Eu ando tendo pesadelos, eu escolho ter pesadelos. Eu escolho ter medo das coisas que tenho medo. Também escolho deixar de ter.

Porque eu acho - eu escolho achar - que eu sou eu inteira. Não sou só a minha parte consciente, sou tudo. Não só a parte que pensa "eu quero ir ao cinema" mas também a parte que pula com barulhos abruptos. Porque a questão é, quando te cortam e separam seu dedo. Qual das partes é você? E quando te cortam ao meio? E quando separam a parte que sonha da parte que fala e decide tomar mais uma cerveja? Qual é você? Quem é você?

quarta-feira, junho 30, 2004

Que dia é hoje?
Hoje é hoje, foi a resposta que me veio à cabeça. Estranho, né?

Hoje foi dia-de-falar-com-orientador. Dia bom, esse. Mais e mais trabalho.

Nossa, tô com uma tosse tão absurda que quando tusso, até eu me assusto.

E esse treco de orkut, hein? Acho que só eu ainda não entrei. Levanta a mão quem também nã entrou.

quarta-feira, junho 23, 2004

Dylan Dog - L'Indagatore dell'Incubo

Dylan Dog é uma revista em quadrinhos para adultos italiana. É a mais famosa e mais importante revista italiana. Arrisco dizer que também a melhor. O Dylan Dog do título é um detetive - o detetive do pesadelo. Como todo detetive que se preze, ele tem um ajudante. O ajudante no caso é Groucho. Sim, o Groucho dor irmãos Marx. Ah, outra coisa estranha é que a estória se passa em Londres, Dylan é inglês. Mas o que eu realmente queria falar era das mortes em Dylan Dog. Uma morte em especial, numa revista chamada Sinfonia Mortal. Não sei se já saiu no Brasil ou qual é o número no original. Mas a estória começa com uma morte que pra mim é a melhor que já vi em quadrinhos.

Um bando de pássaros voando na alvorada, no amanhecer. Gaivotas. Os pássaros encontram uma janela aberta numa casa e entram. Um homem está dormindo, de boca aberta. Um senhor de idade. Dormindo. Um a um os pássaros entram na boca do homem e somem dentro dele. Passa-se um tempo e as gaivotas saem. Saem carregando os órgãos internos do velho. Os pássaros ficam por algum tempo em suspenso sobre o homem, segurando nos bicos suas entranhas. E depois jogam tudo no chão e voam embora.

terça-feira, junho 15, 2004

Post propaganda só pra dizer que retomei o fotolog:

Como não tinha mais inspiração para as poesias para crianças estranhas - talvez um dia eu retome a proposta; ficaram ainda algumas idéias por trabalhar - resolvi desenhar monstros, que é uma coisa que sempre gostei. Sempre gostei de monstros e sempre desenhei monstros. A propósito, antes que algum esperto perceba, minha idéia não é nem um pouco original, vide Creatures in my head.

ps.: O fotolog é Eu e meus monstros.

sexta-feira, junho 11, 2004

Ciao Ciao Italia

Ela é quase tudo que sonhei
e eu sou quase aquilo que sempre evitei.
Falhei, sim falhei.

Quase um olhar, quase um carinho
que me deixou quase sozinho.

E quase que fiquei contente
e fui feliz pra sempre no dia em que eu
quase conquistei seu coração.

sexta-feira, junho 04, 2004

Ontem e coisas e tal

* Só que agora ontem é anteontem, ok? Então, anteontem fomos num bar aqui. (Aqui é Trieste.) Conhecemos uns italianos super-simpáticos e fomos nesse bar, que eles tinham ido outro dia e conheciam o dono. Foi bacana, mas lá pelas tantas me deu uma saudade... Saudade da Sabrina, do Alex, da aldeia, do Heitor, da Maldita, do Carnaval desse ano... Sei lá, nostalgia mesmo. Era isso que eu tinha a dizer sobre ontem-anteontem.

* Agora ontem-ontem aconteceu uma coisa mais legal. Teve uma palestra do Narasimhan. Era a terceira de uma série de quatro palestras sobre o uso de teoria geométrica dos invariantes no estudo dos pontos estáveis em esquemas de Hilbert, acho. Ou era em Jacobianas mesmo? Talvez fosse em Jacobianas... De todo modo, era o Narasimhan e eu fui assitir. Pena que perdi as outras duas. A anterior bem dava pra ter assistido. Mas tem umas notas, que eu vou tentar arrumar, e de repente eu assisto a próxima. A próxima não vai ser do Narasimhan, mas é continuação dessa. Mas enfim, esse tio, Narasimhan, é um indiano pequenininho e magrelinho, e é um dos 5 mais importantes da minha área. E eu assisti a essa palestra dele, numa sala pequenininha, com no máximo mais umas 10 pessoas, quase todos importantes. E eu entendi quase tudo. Tudo que ele fazia, mesmo não tendo pego do início, eu entendi e sabia mais ou menos porque ele estava fazendo. Muito legal mesmo. Me deu o maior ânimo pra estudar. Se bem que eu já tenho estado animada, já tenho estudado mesmo.

Enfim, foi isso. Eu assisti o Narasimhan falando. E esse foi o ponto alto dessas últimas duas semanas. :o)

* Ah sim, outra coisa: ontem no mercado eu vi um daqueles pratos feitos de salada com atum e me deu vontade de comer. Estranho, né?

* Ah sim, estou indo pra Roma. Algum recado pro Papa?

quinta-feira, junho 03, 2004

Tenho que ir

Eu ia escrever um post bonito sobre ontem e coisas, mas agora tenho que ir pra aula. A aula vai ser um saco e eu vou fazer força pra não dormir, mas vou assistir assim mesmo, porque o professor é simpático.

terça-feira, maio 25, 2004

Espíritos Ortodoxos

Ontem entrei numa igreja que, eu juro, é a igreja mais bonita que eu já vi. A que mais me impressionou. Eu já tinha passado por ela outra vez, e me impressionado porque é linda por fora. Com figuras bonitas e um domo azul. E textos em russo. Igreja ortodoxa russa. Mas não tinha entrado ainda, então fiz isso ontem. A igreja é em forma de cruz, um russo me disse que é o formato usual. E os bancos, os bancos não são enfileirados como nas igrejas católicas que eu conheço. Não, eles ficam encostados nas paredes, rodeando toda a igreja. Uma das paredes é reservada ao altar. Quando eu entrei, ouvi uma música em russo, mas como só vi um homem sentado num desses bancos, achei que era música gravada, algum cd de música de igreja. Mas não, e isso eu só vi muito depois, eram dois sacerdotes cantando. Eram os dois cantando, lendo do livro, de costas pro resto do mundo, como se estivessem cantando pra eles mesmos ou pra ninguém ou pra deus. Fiquei extremamente impressionada. Mesmo. Foi a experiência mais espiritual que já tive. Não pude ficar por lá muito tempo, pelo menos não tanto quanto gostaria. Por mim ficava até o final, até terminar o culto, a reza, o rito, a música, enfim, o que for que estivesse acontecendo ali. Preciso voltar lá e ver e ouvir aquilo de novo. Preciso encontrar uma igreja assim no Rio. Não digo que vou me converter ou mesmo que me interesse entender o que acontece ali, porque acho que o mais interessante pra mim é o mistério daquele rito estranho que me pareceu saído de uma época antiga e já morta e esquecida. Me pareceu estar olhando e tomando parte de algo tão maior e antigo que eu não poderia compreender mesmo que tentasse. Mesmo que quisesse. E eu não quero. Não quero explicações. Só quero ver e ouvir aquela mágica de novo.

sexta-feira, maio 14, 2004

Pular ou voar?

Hoje estou meio estranha. Não tô legal. Não sei porque, mas não tô legal. Então eu estava na janela da sala de café. Aqui no IMPA tem uma sala de
café. Então eu estava na janela da sala de café, olhando pra baixo, pra longe. Pensando em pular. Não em pular pra me matar, pra morrer, pra fugir do assunto chato ou pra chamar atenção. Não, nada disso. Pular só pra
pular, pra sentir o impacto do chão. pra ver onde eu ia cair. Pra cair e só. Porque o risco inerente ao pulo, à queda e que não existe no vôo. Esse risco é parte do motivo porque eu prefiro pular a voar. Preferia saber
pular. Pular que nem o Luigi do Super Mario 2. Saca? O Luigi pulava muito
legal. Ou um sapinho. Não pulei, claro. Eu não ia me machucar muito se
pulasse. Talvez um pouco. Não muito. Mas ia ser chato ter que explicar por que eu pulei. Explicar que não, não tinha nada a ver com eles. Ou talvez tivesse, mas não muito. Que pular é legal e eu pulei porque quis. Não que condene o suicídio. Não, pelo contrário. Acho ótimo que exista como possibilidade. Acho mesmo a idéia da morte reconfortante. Mesmo. O nunca mais é assustador, mas muito confortador
também. Mas estou saindo do assunto. O assunto é pulo. Um dia eu pulo.