segunda-feira, agosto 29, 2005

O lugar das portas

E então eu e o Coelho estávamos nessa loja com prateleiras altas e todos os produtos estavam na última prateleira - inalcançáveis. Nós passeávamos pela loja e na verdade era só uma sala ampla com algumas caixas - máquinas registradoras - no meio. Então continuamos andando e o Coelho entrou por uma porta. Quando eu entrei atrás dele eu percebi que as portas daqui não levam sempre ao mesmo lugar, mas mudam o destino de acordo com quem entra. Não sei onde o Coelho foi parar, mas eu saí numa sala à direita. Na sala eu vi três portas e uma das portas era uma escada, a da parede direita. Me decidi pela escada e desci. Desci e cheguei em uma sala mais à esquerda que percebi estar no mesmo lugar, no mesmo labirinto de salas que a anterior. Olhando adiante eu vi de novo o Coelho. Mas o Coelho estava bem longe, umas três salas adiante. Entrei pela porta da frente e saí umas cinco salas na frente; passei demais. Nessa sala tinha um escorregador, não um escorregador no meio da sala, mas um que era uma porta. Ficava em uma das paredes e era uma porta. Resolvi descer o escorregador - porque parecia divertido - e saí em uma sala mais à direita e não vi mais o Coelho. Sem saber o que fazer olhei em volta e na sala à esquerda estava a Menina na Lua.

Passei pela porta e com surpresa me vi na sala da Lua. Seminua, a Menina pintava um quadro - uma paisagem - e tinha nas costas o índice do livro. Na sala da Lua tinha um sofá velho e rasgado, uma estante onde estava a tela que a Menina pintava com cores fortes e um pincel grosso demais, tinham muitas quinquilharias espalhadas e trapos coloridos, e tinha uma janela. Claro, as janelas aqui funcionam como as portas - a paisagem muda de acordo com quem olha. Então, não sei o que a Menina via, não sei se ela pintava a paisagem que via da janela. Eu sei o que eu vi, e eu vi Fernanda. Estranho Fernanda aparecer por aqui, mas era ela e ela estava triste. Nos olhos deFernanda eu vi a sala onde eu e a Menina na Lua estávamos, nos olhos tristes de Fernanda eu via Menina. Pensei em falar com Fernanda, em explicar que era só o acaso que me levou até ali. O mesmo acaso que a fez nos ver pela janela. Pensei em explicar tudo. Mas era tarde e Fernanda já tinha saído por uma porta. Na sala da Lua, a Menina continuava pintando. Dessa vez escolhi a porta de trás, a que fica do lado do sofá, e saí.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Importância

Existe uma mulher que controla o trânsito. Controla os carros e as pessoas. Os carros param as pessoas andam; as pessoas param os carros andam; os carros param as pessoas andam. Existe uma mulher que controla o trânsito. Verde amarelo vermelho verde amarelo. Ela bate palmas e os carros andam as pessoas andam as luzes mudam.

Existe uma mulher que controla o trânsito. Existe uma mulher que controla o trânsito e ela não dorme. Existe uma mulher que controla o trânsito e ela não pode dormir. Sem ela os carros não andam as pessoas não param as luzes não mudam. Existe uma mulher que controla o trânsito e ela não pode dormir. Ela não pode dormir porque ela é a mulher que controla o trânsito.

terça-feira, julho 05, 2005

Só é joelho porque fica na perna, se fosse no braço seria cotovelo.

Analogia é um troço tão importante que a gente até esquece o quanto usa. Todo dia, o tempo todo. Um título alternativo presse post era "O cotovelo da perna é o joelho", e é isso mesmo. O cotovelo da perna é o joelho, a cueca das garotas é calcinha, o futebol dos indianos é críquete. A gente funciona por analogia, é assim que aprendemos. A imitação só faz um pedaço, o resto sai por analogia mesmo. Meu amigo tentou pular do muro e quebrou a perna; por analogia, se eu pular do muro, eu quebro a perna. Meu amigo colou na prova e a professora percebeu e deu zero; eu, se colar na prova, tiro zero. Eu, nessa tal situação me sentiria assim, logo Fulano, que está numa situação semelhante, deve estar se sentindo da mesma maneira. Eu, nessa situação me comporto assim, logo Fulano, que se comporta da mesma maneira, deve estar na mesma situação. Eu, quando sinto isso, faço tais e tais coisas; assim, se Fulano faz tais e tais coisas parecidas, deve estar sentindo algo parecido.

Bonito, né? Pena que não funciona tão bem. Não funciona porque a gente nunca faz o que gostaria que o outro fizesse. Não devia ser assim, né? Pela teoria, se a gente gostaria que nos dissessem tal e tal coisa então, por analogia, o outro ia mesmo gostar que a gente dissesse tal e tal coisa. Né? Então a gente devia dizer, né? Devia dizer. Devia dizer um 'pô cara, vou sentir saudade' ou 'liga quando cê voltar'. Tsc. O problema com as teorias é que elas só funcionam na teoria.

segunda-feira, junho 27, 2005

Sonhos, acredite neles

A coisa que eu acho mais esquisita de sonhos é quando eu acordo e não lembro de nada, exceto uma cor ou uma imagem ou uma sensação. Eu sonhei essa noite, não lembro com o que, mas o sonho era azul e vermelho, cúbico, as cores meioque nas diagonais, tava num canto da sala e na penumbra. Provavelmente o sonho não foi isso, provavelmente teve uma estória, mas o que me ficou do sonho foi essa imagem. Esquisito, né? E aí, como intepretar uma porra dessas?

domingo, junho 26, 2005

Ah Dindi

Eu me lembro da primeira vez em que eu percebi que, na minha cabeça, músicas querem dizer coisas, músicas sempre fazem sentido. Eu tô falando daquela música que fica que nem chiclete - apesar de não ser uma música chiclete - na minha cabeça por dias a fio, ou insistentemente por um dia inteiro. E eu achei tão legal quando percebi. Quer dizer, não foi legal, eu tava triste pra caralho, mas foi bacana perceber o tal do inconsciente agindo. A música era There´s no other way, do Blur.

Daí depois disso eu sempre presto a maior atenção nessas músicas chiclete; algumas vezes isso já me ajudou a perceber coisas importantes. E eu fico pensando se é todo mundo que tem isso assim ou se sou só eu. Eu sempre tendo a achar que nada sou só eu, que se tanto as pessoas só ainda não perceberam isso nelas. O que é bem possível, porque foi só depois que eu notei que eu vi o quanto era óbvio desde o início. Como aliás são a maioria das coisas. Por isso que interpretar sinais é tão difícil. Porque um sinal só quer dizer uma coisa e são tantas as possibilidades! O óbvio é só um e existem tantas possibilidades e a gente nunca acha que o cara mais suspeito vai mesmo ser o assassino. Eu passei o dia todo com Dindi tocando de memória e eu já sei o que isso significa, sei mesmo. Só o que eu não sei é todo o resto.

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Ah! Dindi Se soubesses do bem que eu te quero O mundo seria, Dindi
Tudo, Dindi, Lindo Dindi
Ah! Dindi Se um dia voce for embora me leva contigo, Dindi
Fica, Dindi, olha Dindi
E as águas deste rio aonde vao eu nao sei A minha vida inteira esperei, esperei
Por voce, Dindi, Que é a coisa mais linda que existe Voce nao existe, Dindi
Olha Dindi, Adivinha Dindi, Deixa Dindi, Que eu te adore Dindi... Dindi

sábado, junho 04, 2005

Porque sim

Só porque eu estou me sentindo melancólica agora. E porque estou me sentindo bem. E porque melancolia é coisa boa, e cerveja tamb&eaacute;m. Me deu vontade de escrever, eu podia nem postar, mas o zerot diz preu escrever mais, vamos então agradar ao zerot, pra ver se ele trata bem meus livros. :P

Acho impressionante como só me proponho a escrever quando não tenho absolutamente nada a dizer. E fico aqui, enrolando. Pelo menos eu enrolo bem, isso eu sei.

Eu cortei o cabelo e acho que ficou legal, acho que descobri um jeito de dar um jeito na minha dificuldade de comunicação: pedi e Sabrina cortou. Ficou massa. Eu nunca sei me explicar então é bom que seja alguém de bom gosto, e alguém barato. Se ficasse uma merda, pelo menos não paguei por isso. Acho que é falta de vocabulário, a dificuldade de comunicação. Eu tembém nunca sei explicar roupa pra costureira. Por isso tenho umas 6 camisetas iguais.

E mesmo, falando em comunicação, acho que ando bem melhor. Impressionante, eu falo e as pessoas entendem. Sebemque, algumas vezes eu nem sei o que disse. Mas funciona e é o que importa.

Não sei de onde vem, a melancolia, mas me deu uma puta saudade de Magaroa. E é ainda mais legal porque ninguém conhece. Magaroa é só minha. A Talita era só minha também, daí eu descobri alguém - quem foi mesmo? foi Drummond? - que usou a mesma cartilha. Não importa, porque só eu lembro do caranguejo beliscando o pé da Diva. E por isso eu, se tivesse uma filha negra, e se eu fosse bem cafona, ela se chamaria Diva.

terça-feira, maio 31, 2005

Índio morto não fala à toa

'Ele vai falar?' eu perguntei.
'Vai falar sim, minha filha. Ele vai falar e você preste atenção, que índio morto não fala à toa' a velha respondeu.

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Esse diálogo foi o que me ficou do sonho desta noite. Isso e a impressão de estranheza, como se o sonho tivesse sido gravado de trás pra frente. O diálogo se passa no meio da floresta e eu - ajoelhada na terra - tenho as mãos ao redor do pescoço do índio, que está caído no chão. Quando ele morresse, me diria algo.

Acho que tenho que ler coisas mais leves antes de dormir...

terça-feira, maio 24, 2005

De Sonhos e Deuses

Nossa, faz mais de mês dessa vez. E ainda eu não tenho nada pra escrever. Mas isso nunca mesmo me impediu, né? Se blog é pra ser pessoal, eu posso dizer, pra quem quiser gastar vista pra ler, que eu tive um sonho verde essa noite. Não lembro de nada do sonho, só que era verde. E posso dizer que (finalmente!) estreei minha bicicleta outro dia, mesmo que andando só um pouquim. Que tenho essa música na minha cabeça (que é melhor, porque pelo menos não é rock)

Like the beat, beat, beat of the tom-tom
When the evening shadows fall,
Like the tick, tick, tock of the stately clock
As it stands against the wall,
Like the drip, drip, drip of the raindrops
When the summer shower is through,
So a voice within me keeps repeating,
"You. You. You."

Night and Day, you are the one;
Only you beneath the moon and under the sun.
Whether near to me or far,
It's no matter, darling, where you are.
I think of you, Night and Day.

Mas de tudo o mais legal, acho, é o sonho verde. Eu gosto muito quando sonho cor. Quer dizer, acho que eu sempre sonho cor, porque cinza é chato demais. Mas é raro eu lembrar de sonho, mais ainda raro é lembrar da cor do dito cujo. Outro dia eu sonhei, lembro do enredo todo, mas não da cor. Quer dizer, lembro só da cor azul da meia do sonho. Porque nesse sonho tinha uma meia furada. Legal, né? Sonhar com meia furada. Bom, eu gostei desse sonho. Mais ou menos. Não, gostei sim. :)

Dizer "eu sempre sonho cor porque cinza é chato demais", prum matemático pega até mal, né? Mas é engraçado: se na matemática as coisas devem ser porque a gente prova que são, eu acho que na vida as coisas devem ser porque sim. Porque é mais bonito, porque senão não tem graça. Por isso eu acho que as nuvens são sim monstros voadores, tipo como algas aéreas e que comem o equivalente aéreo do plâncton. E acredito sim que os ventos são deuses, deuses do movimento e por isso, quando o vento chega, as coisas que são mais fracas se deixam influenciar por ele, ficam possuídas e saem andando. Mesmo que elas não tenham vontade. E por isso, quando o vento bate forte na gente, mesmo a gente tendo vontade, ele carrega a gente, ele faz a gente ir pra onde ele quer. E depois sai rindo, carregando folhas e sacos plásticos.

Eu acredito porque é mais bonito. Mais bonito que dizer que nuvem é água (onde já se viu isso?) e que vento é diferença de pressão (que explicação mais sem graça!).

quinta-feira, abril 07, 2005

Duda - a menina que não tinha medo

Eu conheci uma garota
há muito tempo atrás
que apesar de bem pequena
era corajosa demais.

O seu nome era Duda
e ela não tinha medo de nada.
Não tinha medo do escuro
nem mesmo de ser assaltada.

Ela ria de cachorro bravo
e da Conga, a mulher gorila.
Duda adorava fantasmna
e era fã do Godzilla.

Duda nunca fugiu de apostas
até que um dia, desafiada,
subiu num muro bem alto
e se espatifou na calçada.

quarta-feira, março 30, 2005

A e P

Um sujeito tem um revólver. O revólver não está à mostra, está bem guardado na mochila. O sujeito - vamos chamá-lo de sujeito P - está calmamente comendo seu pastel com guaraná, com seu revólver bem guardado na mochila. Então chega o outro sujeito - digamos o sujeito A - e diz para P:
- Ei, não me mata não.
- Ahn?
- Não me mata não, vai...
- Quê? - P pára de comer o pastel e pousa o copo de refresco no balcão.
- Eu pedi pra você não me matar.
- Matar?
- É, por favor. Não atira em mim não.
O sujeito P continua sem entender. A insiste:
- Hein? Promete que não vai atirar? Hein? Não atira em mim não. Por favor, não me mata não.
P suspira e olha o pastel:
- Por que eu ia atirar? Eu nem te conheço, rapaz!
A ignora e continua:
- Promete? Não atira não. Não me mata não, tá? Hein? Por favor. Ai... você vai atirar. Eu tô sentindo que vai. Assim, se você atirar, atira fraquinho. Atira assim, no pé. E perto de algum hospital. Hein? Por favor. Será que dói muito? Deve doer. Ai... Por favor, não atira não, não me mata não.
A parece desesperado. P comeca a perder a paciência:
- Escuta, eu queria terminar o pastel...
A ignora e continua:
- Você vai atirar, né? Ih, você tá nervoso, né? Você vai atirar, voceê vai me matar. Vai, não vai? Vai sim. Eu sei que vai. Ai meu Deus, eu vou morrer! - para os céus - Por que, meu Deus? Por quê? Ele vai atirar! - voltando para P - Voce vai atirar? Vai mesmo? Não faz isso não. Pelo amor de Deus. Faz não. Por fav.
P puxa o revólver e atira em A.

quinta-feira, março 24, 2005

Sapiências

Eu sei um monte de coisas. Um montão mesmo. Eu sei o nome da melhor amiga da Mary Richards e do colega e do patrão também. Sei até quem é Sue Ann Nivens e também Barnabas. Sei que a melhor - e talvez única - maneira de prender uma fada é com aço frio. Sei que cerambicídeo é um tipo de besouro. Sei o nome antigo de Lothlorien. Sei the effect of gamma rays on man-on-the-moon marigolds. Sei enrolar a língua e sei ficar numa perna só. Sei o nome da amiga imaginária da Raquel e dos 7 Perpétuos. Sei o que significa hebdomadário. I wish i were an oscar meyer wienner. Sei fazer cachorro-quente e sei desenhar gato. Eu lembro do pula Blisto no mundo da imaginação e eu sei que vi uma mágica de verdade uma vez. Sei o nome de um gnomo: Rumplestilskin. Sei que Cespenar é um personagem de um jogo que eu nunca vi. Sei quem matou Odete Roitmann. Sei onde ficam as flautinhas no primeiro mundo e sei um jogo dos pontinhos que nunca dá empate, a menos que os jogadores sejam atropelados por um caminhão. Ah! Eu sei como fazer uma capinha colorida bem bonitinha pra cobrir a caneta bic, usando cola e pilô e uma régua.

Sei que tem gente que nem lembra de mim (será?), gente em quem eu penso de vez em quando. Gente de quem eu tenho saudade. Gente que deve ter saudade de mim. Como quando o Reinaldo convenceu as meninas de que cola era bom para a pele e elas lambuzaram a mão de cola. E uma casinha de gnomos feita de caixa de fósforo. E uma perna de girafa que foi engolida. E a chapeuzinho-vermelho sendo esmagada pelo ferro de passar roupa no alto da montanha na época da inundação. Da breve existência da família Quiquica e da criação da tia Massa. Não é engraçado? Tem esses momentos que para a gente foram super mágicos e você pensa "puxa, que legal!" e aí você olha pro lado e você acha que a pessoa que está lá percebeu também o quanto de mágica tinha ali, o quanto aquele instante foi único. E o tempo pasa e... melhor nem conferir. No final o momento era só seu. E a pessoa nem lembra mais. Será que daqui a 5 anos ou 10 ou 15 anos só eu vou lembrar das bicicletas na chuva? Do Enquete é Par e seu grande sucesso, Existe Chegue? Do mãe do Freud? Do gls das verduras e da rainha Evaca Perón? Do significado de cavalo em terras italianas? E eu? O quanto eu já esqueci? O quanto eu perdi?

sábado, março 05, 2005

Estórias e personagens

Eu costumava achar que eu era a única pessoa que inventava estórias pra si mesma. Aí um dia eu tomei coragem - isso na adolescência - e comentei isso com meu psicólogo. Eu achava que era quase um sinal de loucura. Aí ele falou "ué, e como você acha que os escritores fazem?" Fez sentido. Eu vivo inventando estórias na minha cabeça. Tem vezes que eu faço sequências ótimas mesmo. Diálogos que eu penso "porra, isso tá foda!" Acho que eu não escrevo é só porque eu faço elas pra mim, essas estórias são pra mim. Quer dizer, não é que ninguém vá se interessar, é só que na maioria das vezes não vale o esforço.

E mesmo, o meu forte são os personagens. Ou melhor, é o que eu mais gosto de fazer. Eu tenho, deixa eu contar, sei lá, um monte. Mas tem um que é antigo pra caralho. Nem sei quando ele surgiu. Pelo menos uns... o quê? 6 anos. Se contar que ele veio derivado de outro, põe aí uns 10. E eu sei direitinho o rosto dele. Quando eu era mais nova eu ficava pensando "e se eu esbarrasse com ele na rua. E aí?" E aí? E aí nada, ué. E claro, sempre tem as versões alternativas dos personagens, o que sempre é engraçado. É como você olhar prum amigo teu e pensar. "Hmmm... e se ele fosse cozinheiro, gay e pai solteiro?" Ou "e se ela fosse uma nadadora olímpica?"

Pra que eu comecei esse assunto? Sei lá. Deve ser porque eu tava lendo uns fanfics ainda agora. De X principalmente. Isso é coisa que até gosto de ler, mas não vejo nenhuma graça em fazer. O legal é inventar os personagens, é isso, não as estórias em si. Talvez por isso eu encha o saco e nunca consiga chegar ao fim de (escrever) a estória.

ps.: Como se escreve trema em inglês?

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Diálogo

A cena se passa numa videolocadora. Ele é o balconista, ela uma cliente.

Ele: Oi...
Ela: Ahn?
Ele: É... isso aí é um dvd.
Ela: Quê?
Ele: É dvd, não é fita.
Ela: Ah. (pausa) E...?
Ele: É que no telefone você falou fita, isso é dvd.
Ela: Ah. (olha pro dvd confusa)
Ela: Ainda agora, você tava no celular, você falou que tava pegando uma fita. Isso aí não é fita, é dvd.
Ela: Qual a diferença?
Ele: Dvd é um disquinho, precisa de um aparelho diferente.
Ela: Ah, mas eu tenho é aparelho de dvd mesmo. Eu disse que não tinha?
Ele: Não. É só que você falou fita e isso é dvd.
Ela: (suspira) Olha só: quando a gente jogava videogame - você jogava videogame, né? - então. Era tudo cartucho, mas todo mundo chamava de fita e ninguém reclamava. Né?
Ele: (confuso) É.
Ela: É o nome genérico. Fita é tudo que você põe no aparelho, liga e aparecem imagenzinhas na tv.
Ele: Então pra você toca-discos, cd-player e rádio é tudo a mesma coisa?
Ela: É.
Ele: Mas não é. O som é bem diferente.
Ela: É a mesma coisa sim.
Ele: Não é.
Ela: É.
Ele: Não é.
Ela: É.
Ele: Não é.
Ela: É.
Ele: Não é.
Ela: É.
Ele: Não é.
Ela: É.
Ele: É.
Ela: É... Ahn?
(pausa. Ela franze as sobrancelhas e olha para ele. Ele sorri envergonhado.)
Ela: Você tá vendo muito desenho do Pernalonga e Patolino pra achar que isso funciona.
Ele: (ri) Não custa tentar.
Ela: Daqui a pouco você sai correndo dum penhasco achando que é só não olhar para baixo.
(Ele baixa os olhos.)
Ela: (franze a testa) Ou você acha que a vida é isso?
Ele: Quê?
Ela: Que a vida é um penhasco de desenho animado que a gente ultrapassou correndo e a morte é perceber que ultrapassou o penhasco?

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Nada

Não sei se eu tenho muito a dizer não, mas já que estamos aqui, vamos a isso. Eu tinha pensado num post interessante outro dia, mas ultimamente minha memória é pior que sempre. Ou seria pior que nunca? Melhor: ruim como nunca foi. Fica meio grande, mas passa a mensagem.

Sabe uma coisa que é legal? Poder dizer "eu assisto bigui bróder" sem sentir vergonha. Não é lindo? Eu acho lindo. Tô chegando à conclusão que crescer é perder a vergonha. Será? Quando a gente é criança, não tem vegonha. Daí a gente ganha vegonha, depois perde. E depois?

Outro dia tive um sonho engraçado em que eu tava num show na praia. O show tava chato e eu falei "ah, quer saber? foda-se" e então existia uma ponte e eu segui pela ponte e no fim da ponte, uma porta e eu passei pela porta. Estranho, né? Quer dizer, como o sonho tava chato, eu resolvi mudar de sonho. E isso no meio do sonho.

terça-feira, janeiro 04, 2005

We're off to see the wizard

Já tem alguns dias que eu estou com essa música do Má de Oz na cabeça. Mas é melhor que "Ding-dong the witch is dead" que é o que eu tava antes.

We're off to see the wizard, the wonderful wizard of Oz
You'll find he is a whiz of a wiz, if ever a wiz there was.
If ever oh ever a wiz there was, the wizard of Oz is one because,
because, because, because, because, because,
because of the wonderful things he does.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

DE COISAS:

* DE FRASES: Tem duas frases no meu logout do linux agora. Nem lembro o que tava antes. Me deu vontade de botar as duas aqui:
- Estranho é um jabuti de cuecas pilotando um helicóptero. (Cascão em "Mentes Telescópicas")
- O homem é um animal que gosta. O gosto é que muda. (João do Rio em "Emoções")

* DE LINGUAS: Tem dois iranianos falando do meu lado. Acho tão legal ouvir uma língua e não entender absolutamente nada. Parece que eles tão dizendo algo como "unierriateshibom iamkomi sheahs adueieshiz". Não é bacana? :)

* DE LIVROS: Comecei a ler "Os livros da magia", aquele livro inspirado na série de mesmo nome do Gaiman. Tô achando bobo e chato. Li "Direitos iguais Rituais iguais" do Pratchet e, caraca, como ele é foda. E li "Diário de um ladrão" do Genet. Eu gostei; não é de maneira nenhuma o meu tipo de livro, mas por algum motivo estranho eu gostei. E me impressionou menos as putarias (parece que absolutamente todo ladrão europeu é gay) do que a descrição da vida de mendigo na Europa dos anos 30. Tem umas descrições bonitas, como quando ele já tem seus 35 anos e os papéis de repente se invertem e ele é o homem com seu menino, com Lucien. E se vê que ele não está confortável nesse novo papel, como se pra ele essa mudança fosse tão brusca como para nós leitores. Mas os detalhes da vida dos mendigos, isso me intrigou. Enfim. Também li finalmente o Jornal Dobrabil. Já tinha o livro há bastante tempo mas ainda não havia lido. (Gostou do "havia"? Super estáili, né?) De tanto ler Glauco Mattoso e Jean Genet, passei um tempo meio intoxicada, achando que sujeira é o maior barato.

Comprei sábado uma coletânea do Poe; nunca li Poe, absurdo né? Quero ainda comprar um livro da Conrad sobre a Tormenta, mas não sei se já saiu; os outros da série do Mochileiro das Galáxias, também não sei se saíram; e os outros do Diskworld. E tô cheia de Plínio Marcos pra ler lá em casa. E vou pegar de mamãe o Código Da Vinci, que deve ser uma bobagem, mas uma bobagem divertida. Viu, Rafa? Não só de livro nerd eu vivo. ;)

* DE DVDS: Tenho Kubricks! Sim! Tenho Full Metal Jacket (ainda não vi), Laranja Mecânica e O Iluminado. Tá bom, Laranja Mecânica é da Sabrina, vendi pra ela. Ah e tenho meu primeiro Tim Burton, Edward Mãos de Tesoura! E é lindo porque além de entrevistas tem uns desenhos do Burton para o personagem do Edward e do cientista, o criador. Lindo, lindo, lindo.

* DE GLAUCOS: Eu gosto tanto do Glauco Mattoso... Queria saber o que é feito dele. Será que vive? Será que é feliz? Se não fosse a cegueira - que desgraça prum homem de letras, prum poeta concreto - acho que hoje ele seria um dos grandes. Muito novo mesmo, antes dos 30, ele teve um puta reconhecimento com o Dobrábil. Depois... ficou cego, mais e mais até que... definitivamente. Gostaria muito de ver um documentário sobre ele. Acho que seria uma forma de resgate, sei lá.

Sua cegueira me lembra Borges. Se Borges tivesse ficado cego aos 30, será que aos 60 seria o que foi?

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Meu irmão

Crianças crescem e é tão estranho que eu virei adulta assim, de repente. Meu irmão confia em mim, e isso foi a coisa mais fofa que aconteceu nos últimos tempos. É estranho ficar velha. É estranho pensar "daqui a quatro ou cinco anos" e isso ser pouco tempo. E é estranho porque faz tão pouco tempo que isso era muito tempo. Quando você tem 14, caraca, 5 anos é metade da sua vida! Quando você tem 14 você pensa que daqui a 5 anos você vai ser adulto.

Meu primo tinha 12 anos e eu ainda não consigo deixar de pensar nele com essa idade. Ele tem mais de 20 e eu ainda me espanto com isso. A Clara, caramba. Outro dia na rua, eu ando olhando pro chão e vem uma mulher na minha direção. Eu desvio, ela desvia e continua vindo pra cima de mim. Eu penso "Essa mulher vai me atropelar!" Quando olho, a mulher era a Clara, que deveria ter 11 anos mas tem 17. Faz 18 em janeiro.

O Vicente tem pêlos nas pernas. Que o Victor era grande eu já sabia, ele sempre foi. Mas ontem ele tinha um esboço de bigode e isso foi estranho. Virou adolescente. Porque o Vicente tem (quase) a mesma idade mas ainda é criança. Meu irmão não é criança, ele me disse ontem.

Será que eles percebem que cresceram? Não. Eu não percebi. De repente eu era adulta. E nem sei se isso ´ mesmo triste. Não. Ser adolescente é muito chato. É muito bom, não me entendam mal. Mas é muito chato. Tudo é grande demais quando você é adolescente. Um ano, dois, três. Tudo é muito tempo. Será que um garoto de 14 anos sabe que daqui a pouco ele tem 18 e está na faculdade? Que daqui a pouco ele namora, ele casa, ele sai de casa, ele mora junto ele tem sua vida?

Será? Será que é isso mesmo? Ou será que eu já esqueci como é?

sábado, outubro 23, 2004

O rio

Lá longe tem um rio
calmo de água rasa.
Aqui perto tem um rio
que corre na minha casa.

No rio tem os peixes
e conchas e tudo o mais.
No rio eu molho os pés
e com ele corro pro mar.

Quando estou de saco cheio
e tudo é chato demais
eu ponho o rio no bolso
e vou com ele viajar.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Eu sei que essa frase não é nada original, esse pensamento não é. Mas a realidade não parece por vezes fina demais? Não, não fina. Fina tem muitos significados, fine, thin. Frágil seria melhor. Como. Parece tão fácil de atravessar, a realidade quero dizer, que às vezes eu tenho medo de fazê-lo sem querer. Tenho medo de já ter feito e ter caído do outro lado. Será que eu estou do outro lado?

sexta-feira, outubro 15, 2004

I could be dreaming

Faz tempo que não escrevo aqui, o que não é exatamente o motivo que me levou a escrever agora. Tem uma música me martelando a cabeça e um sei-lá-o-que me sufocando o peito. Porque eu sempre achei - como boa analisanda - que minha vida é só minha e que portanto as coisas que eu faço, eu faço pra mim. Eu acho isso, isso é verdade; então porque essas coisas não me fazem feliz?

Eu gosto de matemática (não gosto?) e eu sei que falta pouco (não é?). Um último esforço e chegamos lá. Por que de novo essa montanha e eu no meio da escalada, com medo de cair, cansada demais pra continuar subindo, sabendo que não posso passar muito tempo nesse nicho mínimo onde estou agora. Ou pra cima ou pra baixo. Decida-se. E logo. Decida-se ou decidem por você.

O futuro é longe demais e o passado parece sempre mais fácil do que foi. A caminhada adiante é sempre a mais difícil que você já viu. Então o vestibular não é uma coisa assustadora?

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* Se o presente não existe é o futuro próximo onde vivemos.

* Se você é livre, então o que é que te prende?

* Se você é seu, quem manda em você?

* Se fossemos todos felizes, seríamos todo felizes?